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NUA 2016

1 Fado para esta noite

Volta esta noite pra mim,
Volta esta noite pra mim,
Canto-te um fado, no silêncio, se quiseres
Mando recado ao luar, que se costuma deitar
Ao nosso lado, para não vir hoje, se tu vieres

Anda deitar-te, fiz a cama de lavado
Cheira a alfazema, o meu lençol de linhado
Pus almofadas com fitas de cor,
Colcha de chita com barras de flor
E à cabeceira, tenho um santo alumiado

Volta esta noite pra mim,
Volta esta noite pra mim,
Canto-te um fado, no silêncio, se quiseres
Mando recado ao luar, que se costuma deitar
Ao nosso lado, para não vir hoje, se tu vieres

Pus o meu xaile, pra te servir de coberta
E um solitário ao pé da janela aberta
Pus duas rosas que estão a atirar
Beijos vermelhos, sem boca para os dar
Sem o teu corpo, minha noite está deserta

Volta esta noite pra mim,
Volta esta noite pra mim,
Ser abraçada, por teus braços atrevidos
Quero o teu cheiro sadio, neste meu quarto vazio,
De madrugada, beijo os teus lábios adormecidos

Mando recado ao luar, que se costuma deitar,
Ao nosso lado, pra não vir hoje, se tu vieres

FADO FOR TONIGHT

Come back to me tonight,
Come back to me tonight,
If you’d like I’ll sing to you in the silence,
I’ll send word to the moonlight who usually lies
with us, not to come tonight if you do

Come to bed, I have made the bed fresh
My bedsheets of linen smells of lavender
I have put pillows with colour ribbons,
A bedspread with flower stripes
And the statue of a Saint lighted by the bedside

Come back to me tonight,
Come back to me tonight,
If you’d like I’ll sing to you in the silence,
I’ll send word to the moonlight who usually lies
with us, not to come tonight if you do

I have put my shawl down to be your blanket
And a vase by the open window
With two roses that are throwing
Red kisses without a mouth
Without your body my night is barren

Come back to me tonight,
Come back to me tonight,
So I’ll be hugged by your naughty arms,
I want your healthy scent in my empty bedroom
And in the morning I’ll kiss your sleeping lips

I’ll send word to the moonlight who usually
lies with us, not to come tonight if you do.

2 Há palavras que nos beijam

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente, coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.

O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

SOME WORDS KISS US

Some words kiss us
Like they had a mouth.
Words of love, of hope,
Of immense love, of wild hope.

Naked words you kiss
When the night loses its face;
Words that refuse to see
The walls of your disgrace.

Suddenly, coloured
Among colourless words,
Expected, unexpected
Like poetry or love.

The name of who we love
Revealed letter by letter
In a distracted marble
In an abandoned paper

Words that take us
Where the night is stronger,
To the silence of the lovers
Embracing against death.

3 O SENHOR EXTRATERRESTRE

Vou contar-vos uma história
que não me sai da memória,
foi pra mim uma vitória
nesta era espacial.
Outro dia estremeci
quando abri a porta e vi
um grandessíssimo OVNI
pousado no meu quintal.
Fui logo bater à porta,
veio uma figura torta,
eu disse: “Se não se importa
poderia ir-se embora.
Tenho esta roupa a secar
e ainda se vai sujar
se essa coisa aí ficar
a deitar fumo pra fora.”

E o senhor extraterrestre
viu-se um pouco atrapalhado.
Quis falar, mas disse “pi”,
estava mal sintonizado.
Mexeu lá no botãozinho
e pôde contar-me, então,
que tinha sido multado
por o terem apanhado
sem carta de condução.

“O senhor desculpe lá,
não quero passar por má,
pois você aonde está
não me adianta nem me atrasa.
O pior é a vizinha
que parece que adivinha
quando vir que eu estou sozinha
com um estranho em minha casa.
Mas já que está aí de pé
venha tomar um café,
faz-me pena, pois você
nem tem cara de ser mau.
E eu queria saber também
se na terra donde vem
não conhece lá ninguém
que me arranje bacalhau.”

E o senhor extraterrestre
viu-se um pouco atrapalhado.
Quis falar, mas disse “pi”,
estava mal sintonizado.
Mexeu lá no botãozinho,
disse para me pôr a pau,
pois na terra donde vinha
nem há cheiro de sardinha
quanto mais de bacalhau.

“Conte agora novidades:
É casado? Tem saudades?
Já tem filhos? De que idades?
Só um? A quem é que sai?
Tem retratos, com certeza.
Mostre lá, ai que riqueza!
Não é mesmo uma beleza?
Tão verdinho, sai ao pai.
Já está de chaves na mão?
Vai voltar pro avião?
Espere, que já ali estão
umas sandes para a viagem.
E vista também aquela
camisinha de flanela
pra quando abrir a janela
não se constipar co’a aragem.”

E o senhor extraterrestre
viu-se um pouco atrapalhado.
Quis falar, mas disse “pi”,
estava mal sintonizado.
Mexeu lá no botãozinho
e pôde dizer-me então
que quer que eu vá visitá-lo,
que acha graça quando eu falo
ou ao menos pra escrever.

E o senhor extraterrestre
viu-se um pouco atrapalhado,
quis falar, mas disse “pi”,
estava mal sintonizado.
Mexeu lá no botãozinho
só pra dizer: “Deus lhe pague.”
Eu dei-lhe um copo de vinho
e lá foi no seu caminho
que era um pouco em ziguezague.

THE ALIEN GENTLEMAN

I’m going to tell you a story
that I can’t get out of my mind,
A victory I had
in this space age.
I shuddered the other day
as I opened the door to see
this huge flying saucer
parked in my backyard.
I knocked on its door,
a funny man came up,
I said to him “Would you mind
parking somewhere else?
I have clothes drying here
and they’ll get all dirty
if you leave your thingy
smoking away there.”

The alien gentleman
looked a bit embarrassed.
He tried to speak but what came out was a “Beep”,
he wasn’t tuned properly.
He fiddled with the knobs
and then explained to me
he had just gotten a ticket
having been found driving
without a proper license.

“Well I’m sorry and
I don’t want to sound rude,
the place you have parked in
is all right by me.
My problem is the neighbour,
she is a know-it-all
and who knows what she’ll say
if she sees me alone with you!
But while you’re there
do come in and have a coffee
I’m kind of sorry for you
since you don’t look like a bad sort.
By the way, could you tell me
if wherever you come from
do you know of anyone
who can get me some codfish?”

The alien gentleman
looked a bit embarrassed.
He tried to speak but what came out was a “Beep”,
he wasn’t tuned properly.
He fiddled with the knobs
and told me to beware,
because where he came from
they had no sardines
let alone codfish!

“Now tell me all your news.
Are you married? Do you miss her?
Any kids? How old are they?
Just the one? Who does he look like?
You surely must have pictures.
Let me see, oh so cute!
Isn’t he adorable?
So green just like his dad.
Oh you’ve picked up your keys?
Are you going back to your plane?
Wait, wait, here you go,
a few sandwiches for the trip.
And please take that shirt
all thick and warm
so when you open up the window
you won’t catch a cold.”

The alien gentleman
looked a bit embarrassed.
He tried to speak but what came out was a “Beep”,
he wasn’t tuned properly.
He fiddled with the knobs
and then he got to tell me
that he’d like me to come visit,
he finds it funny when I talk,
or at least to drop him a line.

The alien gentleman
looked a bit embarrassed.
He tried to speak but what came out was a “Beep”,
he wasn’t tuned properly.
He fiddled with the knobs
just to say “God bless you”.
I gave him a glass of wine
and off he went on his road
though zig zagging along the way.

4 AS ROSAS NÃO FALAM

Bate outra vez
Com esperanças o meu coração
Pois já vai terminando o verão, enfim

Volto ao jardim
Com a certeza que devo chorar
Pois bem sei que não queres voltar para mim

Queixo-me às rosas, mas que loucura
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti, ai…

Devias vir
Para ver os meus olhos tristonhos
E, quem sabe, sonhavas meus sonhos
por fim.

ROSES DON’T SPEAK

Again my heart
is beating in hope
for summer is almost over, well

I return to the garden
Sure enough that I must cry
for I know you don’t want to come back to me

I open my heart to the roses, what madness!
Roses don’t speak
Roses simply give off
the perfume they’ve stolen from you…

You should come
and see my sad and wistful eyes
and who knows you might end up
dreaming my dreams.

5 SOMBRAS DO PASSADO

Venham sombras do passado
Venha tudo o que eu te dei
Venha a seiva do pecado
Venha o mal que eu rejeitei

Venham sombras do passado

Venham crimes de saudade
Pesadelos de amargura
Venham sismos à cidade
Desatar esta loucura

Venham sonhos e promessas
Ocupar o que foi teu
Venha o dia em que tropeças
Neste amor que já morreu

Venham sonhos e promessas

Venha vento, venha frio
A mais negra solidão
Venha a dor do teu vazio
Implorar o meu perdão

Venham sombras do passado
Venha tudo o que eu te dei…

SHADOWS OF THE PAST

Come, shadows of the past
Come, everything I’ve given you
Come, sap of the sin
Come, evil I have forsworn

Come, shadows of the past

Come, crimes of longing
Nightmares of bitterness
Come, earthquakes, to the city
Untie this madness

Come, dreams and promises
Come take what was once yours
Come, day where you stumble
In this love already dead

Come, dreams and promises

Come, wind, come, cold
Darkest solitude
Come, pain of your emptiness
Beg my forgiveness

Come, shadows of the past
Come, everything I’ve given you

6 NAUFRÁGIO

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
– depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar.

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre dos meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio…

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

SHIPWRECK

I put my dream on a ship
and the ship on the sea;
– then, I opened the sea with my hands,
so my dream could go down.

My hands are still wet
with the blue of the opened waves,
and the colour running from my fingers
turns the deserted sands blue.

The wind comes from far away,
the night curves with the cold;
underwater my dream
is dying inside a ship…

I will cry as much as I need
to make the sea rise higher,
so my ship can reach the bottom
and my dream can disappear.

7 Lá Na Minha Aldeia

Lá na minha aldeia, não se vira o vira,
Bater o pé!
Não se vira o vira,
Bater o pé!
Repara, Maria,
Que assim como eu faço é que é!
Repara, Maria,
Que assim como eu faço é que é!

Se o vira avançou de jeito
É porque o vira é dançado
De maneira que o sujeito
Não leva o par agarrado.
E hoje, nas danças modernas,
Apertados à tabela,
Não se sabe se as pernas
São dele ou são dela!
São dele ou são dela!

Nas festas da minha aldeia,
Tudo vem dançar pra rua.
Em noites de lua cheia,
Tudo vira, até a lua!
E nos teus olhos, amor,
Quando o luar se altera,
Os meus se encandeiam
E eu não sou quem era!

Repara, Maria,
Que assim como eu faço é que é!
Que assim é que é.

BACK HOME IN MY VILLAGE

Back home in my village you don’t dance the vira,
Stomp your foot!
You don’t dance the vira,
Stomp your foot!
Watch, Maria,
This is the way it’s done!
Watch, Maria,
This is the way it’s done!

If the vira has moved forward
It’s because the vira is danced
So that the lead won’t take
His pair alongside him.
And today, with these modern dances,
They dance so tight
That you can no longer tell
If the legs are his or hers
If the legs are his or hers

In my village festivals,
Everyone comes dancing on the street
In full moon nights
Everyone dances, even the moon
And in your eyes, my love
When the moonlight changes,
My eyes grow blinded
And I am no longer who I was!

8 O Mundo é um Moinho

Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

Preste atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho
Vai reduzir as ilusões a pó

Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés

THE WORLD IS A WINDMILL

It’s still early, my love
You’ve hardly begun to know life
You’re already announcing your departure
Even though you don’t know which way to go

Hear me out my darling
Though I know you are resolved
Your life will fall a little with every corner
Soon you will no longer be who you are

Listen to me, my love
Hear me out, the world is a windmill
It will grind down your dreams in such a way
All your illusions will become dust

Hear me out, my darling
From each love you’ll inherit only cynicism
And you’ll find yourself at the edge of an abyss
That you have dug with your own feet

9 Labirinto ou não foi nada

Talvez houvesse uma flor
Aberta na tua mão.
Podia ter sido amor,
E foi apenas traição.

É tão negro o labirinto
Que vai dar à tua rua…
Ai de mim, que nem pressinto
A cor dos ombros da Lua!

Talvez houvesse a passagem
De uma estrela no teu rosto.
Era quase uma viagem:
Foi apenas um desgosto.

É tão negro o labirinto
Que vai dar à tua rua…
Só o fantasma do instinto
Na cinza do céu flutua

Tens agora a mão fechada;
No rosto, nenhum fulgor.
Não foi nada, não foi nada:
Podia ter sido amor.

LABYRINTH OR IT WAS NOTHING

There might have been a flower
Open in your hand.
It could have been love,
All it was was betrayal.

So dark is the labyrinth
That leads to your street…
Woe is me, I can’t even feel
The colour of the Moon’s shoulders!

There might have been a star
Passing through your face.
It was almost a journey;
It was only heartbreak.

So dark is the labyrinth
That leads to your street…
Only the ghosts of instinct
float in the ashes of the sky.

Now your hand is closed;
there’s no glimmer in your face.
All is well, it was nothing;
it could have been love.

10 Quando os outros te batem, beijo-te eu

Se bem que não me ouviste, e foste embora
E tudo em ti, decerto, me esqueceu
Como ontem, o meu grito, diz-te agora
Quando os outros te batem, beijo-te eu!

Se bem que às minhas maldições fugiste
Por te haver dado tudo o que era meu
Como ontem, o meu grito, agora diz-te
Quando os outros te batem, beijo-te eu!

Mas há de vir o dia em que a saudade
Te lembre quem por ti já se perdeu
O fado, quando é triste, é que é verdade
Quando os outros te batem, beijo-te eu!

WHEN OTHERS HIT YOU, I KISS YOU

Though you didn’t hear me and went away
And everything in you has surely forgotten me
Like yesterday my cry tells you now
When others hit you I kiss you!

Though you ran away from my curses
Because I gave you all that was mine
Like yesterday my cry now tells you
When others hit you I kiss you!

But the day will come when your longing
Will remind you of those lost for your cause
Fado speaks the truth when it’s sad
When others hit you I kiss you!

11 Noite de São João

Era Noite de Verão
E em véspera de São João
Toda a gente vai para a rua
Saí de camisa rosa
Saia curta perna airosa
Batom e verniz nas unhas

Numa mão tinha o martelo
Que era verde e amarelo
E na outra o alho-porro
Desci até à Ribeira
Com a Ponte mesmo à beira
Que é de onde se vê o Fogo

E ao chegar a Miragaia
Quando fui rodar a saia
Senti calor no decote
Quando avisto a dada altura
A comer uma fartura
O moço dos carros de choque

Ele era moreno e alto
E eu que até sou contralto
Piava fino com ele
Ficava toda nervosa
Só de ouvir aquela prosa
Que me arrepiava a pele

Fomos juntos para a Foz
E ali estávamos nós
A ver os balões no céu
Quando apareceu a Rute
Que chegou como um Abutre
A dizer que ele era seu

Como quem salta à fogueira
Fui para a bulha, disse asneiras
E esfreguei-lhe o Alho-porro
E fresca como um manjerico
Engatei um mais bonito
Que apareceu em meu socorro

ST. JOHN´S NIGHT

It was a summer’s night
And on the eve of St. John’s
Everybody goes out
I went in a pink shirt
Short skirt, nice legs,
Lipstick and nail polish

On one hand my rubber hammer
Green and yellow
And on the other my leek
So I went down to the Ribeira
Just next to the bridge
from where you see the fireworks

As I got to Miragaia
When I went to dance a bit
I felt my chest go all warm
As I saw at one point
The bumper car operator
Having a churro

He was tall and handsome
And me who’s a contralto
I spoke to him in a falsetto
I was totally nervous
hearing him do his prose
Goosebumps on my skin

We went together to Foz
And there we were
Watching the balloons fly high
And then arrived Rute
flying in like a vulture
Saying he was hers

As if I were jumping into the fire
I wrestled with her and said dirty words
And I smooshed the leek on her face
and as fresh as basil
I hooked up with a nicer guy
who came up to me to help

12 Naquela noite em Janeiro

Naquela noite em Janeiro
Subimos a minha escada
Quando desceste era dia
Bem sabes, foste o primeiro
E aquela porta fechada
Abriu a minha alegria

Passaram meses, depois
Com medo que te prendesses
Quiseste sair para a rua
Mas nós subimos os dois
E eu roguei que não descesses
A escada que era só tua

Passei um tempo sem lume
Com sede dos teus abraços
E fome do teu carinho
Entrava em casa o ciúme
Quando na escada os teus passos
Subiam devagarinho

Numa noite à tua espera
Não dormi acompanhada
E o tempo por ela passou
Se te lembrares quem eu era
Não subas à minha escada
Que a porta já se fechou

THAT NIGHT IN JANUARY

That night in January
We climbed my stairway
When you came down it was daylight
You know well you were the first
And that closed door
Opened up my joy

Months went by and then
Afraid to get stuck
You wanted to go out
But we both climbed up
And I begged you not to go down
The stairway that was yours alone

I spent some time without a light
Thirsting for your embraces
Hungry for you caresses
Jealousy came in the house
When I heard on the stairway
Your slow moving footsteps

One night waiting for you
I did not sleep accompanied
And time passed by
If you’ll remember who I was
Don’t come up my stairway
The door is now closed.

13 Llorona

Todos me dicen el negro, llorona,
Negro pero cariñoso.
Todos me dicen el negro, llorona,
Negro pero cariñoso.
Yo soy como el chile verde, llorona,
Picante pero sabroso.
Yo soy como el chile verde, llorona,
Picante pero sabroso.

Ay de mí, llorona, llorona, llorona; llévame al río,
Tápame con tu rebozo, llorona,
Porque me muero de frío.

No sé qué tienen las flores, llorona,
Las flores del camposanto
Que cuando las mueve el viento, llorona,
Parece que están llorando.

Ay de mí, llorona; llorona; llorona de un campo lirio.
El que no sabe de amores, llorona,
No sabe lo que es martirio.

Si porque te quiero quieres, llorona,
Quieres que te quiera más,
Si ya te he dado la vida, llorona,
Qué más quieres? Qué quieres más?

Que te quiera más?

El que no sabe de amores
No sabe lo que es martirio.

Llorona, qué más quieres?
Si ya te he dado la vida, llorona
que quieres más?